Bate-papo: Tracey Garvis Graves

23 janeiro 2015

Em tempos onde livros eróticos e utopias são o must, quem diria que o velho e tradicional romance ganharia espaço nos corações e estantes de milhares de leitores mundo à fora?

Autora bestseller do New York Times, Wall Street Journal e USA Today, Tracey Garvis Graves teve sua carreira impulsionada por seu romance de estreia, o livro Na Ilha, publicado no Brasil em 2013 pela editora Intrínseca.

Anteriormente formada em Administração, Graves chegou a trabalhar na área de Recursos Humanos antes de resolver se concentrar em um dos itens de sua "Lista de Coisas Para Se Fazer Antes de Morrer".

O LMT conversou com a escritora por e-mail e ela nos contou sobre como se interessou pelo ambiente literário, como surgiu a ideia de escrever seu primeiro romance e falou um pouco sobre o sucesso que foi Na Ilha. Vem com a gente!



LMT: Por que você decidiu se tornar uma escritora?

Tracey: Escrever um livro era um item da minha lista de coisas para se fazer antes de morrer que eu queria eliminar. Eu estive pensando sobre tentar escrever um para ver se eu realmente poderia... Na Ilha foi o resultado.

LMT: O que te fez perceber que o mundo literário era para você? 

Tracey: Honestamente, eu não estava pensando nisso quando eu comecei a escrever. Minha motivação veio mais com a minha vontade de saber se eu poderia atingir o meu objetivo e também, escrever a história que eu queria ler.

LMT: Como escritora, onde você encontra inspiração e concentração para desenvolver suas histórias?

Tracey: Eu encontro ideias em todos os lugares e escrevo livros sobre aquelas ideias que eu não consigo tirar da minha cabeça. Uma vez que a história começou a ser desenvolvida, tudo o que eu quero é escrever.

LMT: Você tem algum lugar especial onde você gosta de sentar e escrever?

Tracey: Eu tenho vários lugares: eu tenho cadeiras de escrita em nossa sala de estar e também no meu escritório. Algumas vezes escrevo no sofá ou na cadeira de descanso no sótão da sala de estar. Muito raramente deixo minha casa para escrever. Também não pode haver nenhum barulho quando estou escrevendo. Sem TV. Sem música.

LMT: Quem é o seu/sua autor (a) preferido de todos os tempos?

Tracey: Uau! Essa é uma pergunta difícil porque eu gosto de tantos escritores. Atualmente, alguns dos meus favoritos são Curtis Sittenfeld, Jill Shalvis, Jane Green, Sarah Pekkanen, Jennifer Weiner, Liz Fenton e Lisa Steinke, Julie James, Diana Gabaldon e Paullina Simons.



LMT: Na Ilha foi lançado no Brasil em 2013, um ano após seu lançamento nos Estados Unidos. Eu não tive oportunidade de lê-lo naquele momento, mas, quando o fiz (há algumas semanas atrás), eu fiquei tão animada que senti pre precisava entrar em contato com você. Como surgiu a ideia de escrever um livro onde os personagens principais tem que lidar não só com o risco iminente de morte, mas também, com o preconceito da sociedade? 

Tracey: O meu objetivo é contar uma história da melhor maneira e do modo mais autêntico que eu conheça. Algumas histórias são fáceis de serem contadas. Algumas têm uma trama mais focada. Outras são guiadas pelos personagens. A única coisa que eu sempre digo é que não quero ser uma autora que escreve o mesmo livro o tempo todo. Eu não me importo em arriscar e sinto que a única maneira de crescer como escritor é desafiar a si mesmo a tentar coisas novas.

LMT: Quais dificuldades você precisa enfrentar quando está escrevendo?

Tracey: A maior dificuldade é tentar agir de acordo com as expectativas que são postas sobre Na Ilha. Sei que tudo o que eu escrever será comparado à ele. Isso é difícil especialmente porque escrevo romance e ficção feminina. Embora os dois gêneros tenham características similares, eles também têm diferenças bastante ressaltadas. Frequentemente sinto que tenho de separar o meu público, mas, está tudo bem.

LMT: Qual é a melhor parte em escrever um livro?

Tracey: Ver a história se formando é uma das minhas partes favoritas. Eu também amo quando os personagens fazem algo inesperado, o que faz com que a história ganhe força.

LMT: Quando eu li a sinopse de Na Ilha, eu imediatamente pensei: "Ai céus! Vou revisitar a história de A Lagoa Azul com características modernas", e eu não estou fazendo comparação. É mais um elogio, apesar de eu estar totalmente errada. Porém, as duas histórias se passam em uma ilha. Você chegou a se inspirar neste filme?

Tracey: Com certeza! A Lagoa Azul é um dos meus filmes favoritos e foi, definitivamente, uma inspiração para Na Ilha. Eu também me inspirei no filme Náufrago e no livro Hatchet.

LMT: Na Ilha foi o seu romance de estreia e passou nove semanas no lugar em que todo escritor do mundo quer alcançar: a lista de bestsellers do The New York Times. O que você sentiu quando percebeu que tinha conseguido, que você estava nessa lista? E quais são as vantagens de ser uma escritora bestseller? Existem alguma desvantagem?

Tracey: Foi um sonho se tornando realidade. Quando minha agente me contou eu mal acreditei. A vantagem é a exposição que você ganha por estar nessa lista. A desvantagem é que todo mundo espera que você atinja essa lista a todo momento e isso é muito mais difícil do que da primeira vez.

LMT: O seu livro é um sucesso. Ele foi publicado em vinte países, correto? O que você acha que contribuiu para prender a atenção dos leitores?

Tracey: No momento, Na Ilha está disponível em vinte e oito países. Eu acho que os leitores se conectaram com o livro porque é uma história de amor que triunfa sobre a adversidade e tem um final feliz.

LMT: Vamos falar sobre os personagens. Eu gostei muito de Anna por ela ser tão compreensiva e solidária e, amei T.J. porque ele era tão maduro mesmo quando tinha apenas dezesseis anos. O que mais você gosta neles?

Tracey: Eu gosto do fato de que ambos foram capazes de crescer e mudar. No final do livro, eles não eram as mesmas pessoas de quando o avião caiu. Eles complementaram um ao outro e os dois tinham seus pontos fortes e fracos.

LMT: No final da edição brasileira de Na Ilha, há uma nota dizendo que o filme vai ser adaptado. Isso é mesmo verdade? Conte-nos algo sobre isso, por favooooor!

Tracey: Aqui tem um link para um FAQ que eu criei visando o filme: https://www.facebook.com/ontheislandmovietraceygarvisgraves

*Através desse link você poderá se manter informado sobre o processo de produção do filme, que teve os direitos de adaptação comprados pela MGM e pela Temple Hill Productions (as mesmas de A Culpa é das Estrelas e Maze Runner).*

LMT: Você tinha alguma música favorita quando estava escrevendo Na Ilha?

Tracey: Eu não ouço música quando estou escrevendo, mas, durante o estágio de revisão, eu percebi que Roll With the Changes do REO Speedwagon era perfeita para a cena em que T.J. está esperando por Anna na calçada para ir pra casa no Natal.


LMT: Você escreveu um conto depois de Na Ilha. Uncharted já havia sido planejado?

Tracey: Eu não tinha planos de escrever nenhum tipo de sequência ou spin-off, mas, quando minha editora perguntou se eu estaria interessada em escrever uma edição especial (eSpecial) -- que seria sobre outro personagem do livro -- eu disse sim. Eu comecei a pensar "o cara que construiu a cabana", então, Uncharted foca na pessoa que viveu na ilha antes de Anna e T.J. chegarem. Foi muito divertido revisitar a ilha e ver do que Anna e T.J. eram capazes.

LMT: Ele [Uncharted] foi publicado somente no formato digital, correto? Você pretender lançá-lo no formato "carne e osso", com papel e aquele cheirinho maravilhoso?

Tracey: Sim! Uncharted vai ser lançado em paperback no próximo mês (apenas em inglês, infelizmente). Minha editora, Penguin Random House, graciosamente reverteu os direitos de impressão para mim já que recebemos muitos pedidos dos leitores por uma cópia física. Eu posso fazer isso de maneira muito econômica pela Amazon's CreateSpace, e estou muito feliz por isso.

LMT: O conto ainda não foi publicado no Brasil. Existe previsão de publicação em nosso país?

Tracey: Pelo fato de Uncharted ter sido publicado como uma edição especial e, como não é um romance de tamanho original, não há rentabilidade se publicarmos como um dos meus títulos de formatos originais. Por enquanto, apenas a edição holandesa está disponível. Espero que mais publicações estrangeiras possam acontecer.

LMT: Aposto que muitas pessoas no Brasil estão loucas para conhecer você. Quando vamos ter essa oportunidade?

Tracey: Eu não sei. Não estou com viagem ao Brasil planejada, mas, eu amaria visitar e conhecer os meus leitores. Vou ficar com os meus dedos cruzados para que haja uma turnê literária internacional algum dia.

LMT: Como você definiria a escrita?

Tracey: Para mim, escrever é muito parecido com a queda livre. Quando estou realmente concentrada, eu perco todo o senso de tempo e não escuto ninguém batendo na porta ou dizendo o meu o nome. É quase hipnótico. Eu adoro. Para mim, escrever é pura alegria.

LMT: Você pode deixar uma mensagem para os seus leitores brasileiros?

Tracey:



"Queridos leitores,


Eu não posso agradecer o suficiente o apoio que vocês têm me dado. Me faz verdadeiramente feliz saber que vocês abraçaram Anna e T.J., e a história deles, com toda devoção. Espero poder visitar o Brasil algum dia para que eu possa agradecê-los pessoalmente.

xoxo,

Tracey"


Então pessoal, é isso. Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais a Tracey e seu trabalho como escritora. E por favor, leiam Na Ilha. Beijos :)
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