COLUNA RAFFA FUSTAGNO - RESENHA DE LIVRE

11 abril 2013

Título original : Wild
Título no Brasil: Livre
Autora : Cheryl Strayed
Editora : Objetiva
Número de págs: 373



 " Eu amo esse livro. Quero gritar isso do topo de uma montanha. Quero gritar na internet.Amo tanto que e quero tanto falar sobre ele que decidi reinventar meu clube do livro" ( Oprah Winfrey)






  Até onde a dor nos leva? Até onde podemos suportar? E o mais importante é saber o que nos faz voltar a vida novamente. Acho que foram essas perguntas que me fiz após ler esse livro. " Livre" não é um livro bobo de auto-ajuda, é a história de uma  jovem de 22 anos que após perder a mãe que tanto amava resolve fazer tudo que lhe dava vontade naquela busca constante que temos atrás do que chamamos de felicidade.
Cheryl começa contando que sua mãe sempre foi seu alicerce, a vida com os 2 irmãos e ela após a separação de seus pais foi uma experiência que lhe marcou para sempre, como ela mesma cita, descobriu que por mais que doesse a separação ela viu que estavam melhor sem aquele homem que espancava constantemente sua mãe.
Com isso, ela morou em vários lugares, sua mãe sempre protegendos os filhos até eles terem idade suficiente para se virarem sozinhos. Seu padastro que ela chamava de pai, era um carpinteiro que amava sua mãe. Casada e fazendo faculdade, Cheryl achava ser feliz, até que seu mundo desaba quando aos 45 anos sua mãe descobre estar com câncer. Da descoberta da doença até a morte dela acompanhamos e sofremos junto com ela sua mãe ir embora e o pior, em muito pouco tempo. A doença presente em tantos livros e na vida de maioria de qualquer ser humano, narrada por Cheryl tem exatamente o que é: uma luta pela vida com vitória e derrotas. Infelizmente sabemos que a história é verídica e que Cheryl perdeu sua mãe.
Com raiva do irmão Leif que nunca procurou a mãe quando doente , de sua irmã que fugia de ver o estado da mãe, ela tem somente o marido da mãe e seu marido Paul como apoio; mesmo que nada faça passar a dor que sente .
Após a morte de sua mãe, Cheryl pode-se dizer assim, surta! Ela começa a trair o marido, se separa, vira viciada em heroina, dorme com vários homens...até resolver fazer a caminhada Pacific Crest Trail que leu em um livro e achou que seria sua salvação ver seus limites percorrendo exatos 1.770 km!
Cheryl conta com detalhes os dias que passou entre ursos, cobras e formigas. Suas bolhas, cortes e meios de defecar e urinar. Como não sou muito fã de passeios ecológicos me assustou a coragem dela em enfrenta tudo com pouco dinheiro e sozinha, dependendo da ajuda de pessoas que lhe deram carona, comida e amizade.
O que ela vive, aprende ou sente é compartilhado com a gente, de uma maneira que pelo menos para mim foi interessante ver como ela lidou com a dor, como ela precisou de uma caminhada, de um desafio para afastar os pensamentos ruins, a dor da solidão sem a presença da mãe e descobrir que não amava seu marido por mais maravilhoso que ele fosse.
" Livre" é um livro para ser lido sem expectativas de finais mirabolantes, ou de lições de moral, me identifiquei com a relação dela com a mãe e estranhei o como ela se acabou por causa da dor que a morte lhe causou.
Só esperava que ela contasse mais do dia a dia dela atual já que faz agradecimentos ao marido e dois filhos !
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