COLUNA DA RAFFA FUSTAGNO - RESENHA DE O GUARDIÃO DE MEMORIAS DE KIM EDWARDS

18 agosto 2011

Título original: The memory keeper´s Daughter
Título no Brasil: O guardião de memórias
Autora: Kim Edwards
Editora: Sextante
Ano de lançamento: 2007
Número de Páginas :  361
ISBN : 978-85-99296-14-1






Já tinha um tempo que eu não devorava um livro de um dia para o outro. Quando vi esse livro nas Lojas Americanas e soube da vinda da autora na Bienal do Livro me perguntei qual deveria ler? Esse ou o Lago dos sonhos, ao pegar o livro e ler a sinopse não pensei duas vezes, aquele livro tinha tudo a ver com meu momento, na verdade com o momento em que minha família passa.
Claro que de cara identifiquei que a história se parece e muito com a de Páginas da Vida, novela de Manoel Carlos em que a personagem jovem engravida e ao ter filhos gêmeos e morrer no parto sua mãe somente cria o filho perfeito. A filha da mãe falecida com síndrome de down é dada para adoção. Nesse livro a história é ainda mais chocante...no meio de uma nevasca a esposa do Dr. David um ortopedista famoso na cidade em que vivem dá a luz em um hospital sem médico de plantão para realizar o parto devido a neve , é o próprio David quem faz o parto de sua esposa com a ajuda da enfermeira Caroline. O ano é 1964 e naquela época sem ultra sonografia que revelasse o sexo do bebê, Norah, a esposa do médico nem imagina que sua gestação é de gêmeos.
Ao ter as crianças, primeiro sai o filho perfeito: Paul. Depois a segunda filha , Phoebe vem ao mundo sem que mãe perceba po estar anestesiada  mas seu pai reconhece na mesma hora os sinais da síndrome de down. Os detalhes narrados pela escritora ao falar como é reconhecido a indivíduo portador de down é tão real que tive que parar de ler no mesmo instante para secar as lágrimas que escorriam.
Nessa hora  é que você não consegue parar de ler...o médico atormentado por uma irmã que morreu jovem devido a uma doença no coração toma a decisão de entregar o filho a enfermeira e pedir que entregue a criança a um lar especializado.
Caroline, apaixonada por ele, aceita e é cúmplice dessa história ao levar a criança e concordar com ele mentir a Norah que a criança nasceu morta.
Para quem tem uma criança ou um adulto na família com mesma síndrome o momento é de raiva, como assim um médico, uma pessoa que se compromete a salvar vidas quer se livrar rapidamente de sua própria filha por não ter nascido perfeita.
Nos faz pensar no mundo em que vivemos e como somos como seres humanos, sempre tentando fugir dos problemas, só querendo o que é bom para si.
Caroline não tem coragem de entregar a criança no tal lar e acaba ficando com ela a criando como sua própria filha. A personagem é sofrida e é desse sofrimento que ela encontra forças para amar Phoebe, me peguei pensando na hora que é tão fácil amar o que é perfeito..o que só nos causa orgulho.
Phoebe tem uma síndrome que todos sabemos que irá incapacitá-la eternamente de ter independência, é esse o motivo principal das pessoas quererem se livrar de quem tem a mesma necessidade especial, ter alguém que dependa de você é fofo somente quando se tem uma criança, com o tempo ter alguém que depende de você para sempre não é agradável aos olhos de quem não quer essa responsabilidade eterna.
É como ter um idoso que precisa de você, as pessoas tendem a colocá-los em asilos esquecendo tudo que já fizeram quando tinham capacidade de viverem sem ajuda, não digo todos os asilos mas sabemos que boa parte deles não é a melhor opção para o idoso que sente falta do amor familiar.
Nessa história o que me comoveu foram duas coisas...o amor incondicional de Caroline por Phoebe e Norah que mesmo não conhecendo a filha morta no parto - conforme ela pensa que aconteceu - vive com as lembranças da filha para sempre.
A distância que aparece entre o casal David e Norah após o acontecimento mesmo ela sem saber da decisão hedionda que seu marido tomou é muito bem descrita pela autora, é como se uma força maior nos fizesse repensar nossos atos em vida..porque a vida para o casal nunca mais foi a mesma.
Phoebe cresce diante de nós narradas todas as dificuldades e é lindo ver que não há limites para os que acreditam que nem tudo que se é dito para os portadores dessa doença é um ponto final mas com tantso avanços uma imensa esperança cresce a cada dia.
Lamentei que não tenha sido ele a contar a verdade para a esposa...e algumas partes como da traição aos meus olhos, fizeram com que Norah perdesse um pouco a imagem de mulher imaculada que não tem ideia do que está passando em sua vida. Mas isso é uma opinião minha que abomino traições e as achei desnecessárias no contexto do livro,
o final é daqueles de pegar a caixinha de kleenex e imaginar que a vida pode ser muito mais do que ousamos achar que ela é...que um problema aparente pode ser não digo resolvido mas atenuado quando se há um ambiente de amor.
Obrigada Kim Edwards por dar esperanças não só a minha família que tem um caso de portador da síndrome como tenho certeza a de milhares de pessoas.
Um livro para ser lido, pensado, vivido e se emocionar.
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