COLUNA RAFFA FUSTAGNO - RESENHA DE " A CABANA" DE WILLIAM P YOUNG

29 julho 2011

Título no Brasil : A Cabana
Título original : The Schack
Autor : William P Young
Editora : Sextante ( Arqueiro)
Ano de Lançamento: 2007
Número de Páginas: 234
Capa nos EUA
Primeiramente devo dizer que sempre via esse livro nas livrarias e suas propagandas me chamavam atenção mas nunca o comprei. Em 2009 disseram que o autor William P. Young viria na Bienal RJ e quase o levei para casa em minhas inúmeras idas a Saraiva.
Esse ano com a confirmação da vinda dele me rendi e pulei o na minha imensa fila de livros a serem lidos. Quem me conhece sabe que amo Bienais e a proximidade com o autor me fascina!
As primeiras 76 páginas são fenomenais, me senti tão envolvida com a história que pedia mais, levava o livro para todos os lugares no primeiro dia que comecei a ler e deixei minha bolsa cair no meio da estação de metrô de tão distraída que estava o segurando e acompanhando a história do sofrido Mackenzie. Aqui vão alguns spoilers se não leu o livro não continue a ler...afinal nosso protagonista tinha um pai alcoolátra, uma mãe que não se defendia dos ataques de seu pai e para piorar ainda apanha tanto dele que sai de casa com a certeza que matou aquele homem tão cruel. Pulamos para a vida adulta aonde ele tem uma casa feliz com sua esposa e três filhos mas guarda seu segredo a sete chaves. Vemos que ele é infeliz de alguma forma, mas a felicidade familiar no presente me pareceu completa.
Até que ele resolve viajar com a família e entre um passeio e outro sua filha caçula Missy desaparece do chalé aonde estavam hospedados. Daí para frente me desesperei com tudo que o autor narrava, não sou mãe mas imagino o desepero de pais que perdem seus filhos e sempre lembro da frase maravilhosa de nosso poeta eterno Carlos Drummond de Andrade que dizia que os pais nunca devem sobreviver a seus filhos.
Achei forte as cenas narradas da morte de Missy, rezei para que o tal milagre da cabana que tanto ouvia dizer fosse ela aparecer viva mas não...a tal cabana é exatamente o local aonde o assassino cruel matou a menina deixando somente sua roupinha cheia de sangue e uma joaninha ( broche!) que significa que ela foi vítima de uma serial killer que já atacava nas redondezas.
Até essa parte poderia ser livro de vários gêneros até ele receber o tal bilhete dizendo para ele voltar a cabana. E a dúvida que persiste, quem o escreveu?
Ele então vai até a cabana e a partir de então devo confessar que achei o livro muito voltado para lições de vida do que me permito acreditar.
Não que isso seja da conta de ninguém mas sou católica, leio livros de Chico xavier e acreditando ou não no que dizem creio em um Deus que para mim é o mesmo e chamado de várias formas. Não vou julgar religião, não vou dizer o que acredito ou não, só quis provar que não sou rigorosa com as leituras de meus livros e me permito conhecer outros ideais. Bem, não funcionou para mim, esperava me emocionar e somente achei bonito os ensinamentos ditos, mas daí eu crer que tudo que passou ali pode acontecer é outra história, desculpe, não vou julgar mas não me pareceu convincente. Pelo menos para o que eu acredito, para o que cresci acreditando e para o que funciona para mim como fé e refúgio quando preciso e para cada um sei que aparece de diversas formas.
O autor para mim era desconhecido até então mas gostei muito da forma que escreve. Leria outros livros dele que fossem de outra temática.
Como uma boa viciada em leitura acho necessário ler esse livro, para se falar bem ou mal se deve ler antes de mais nada para conhecer.
Eu conheci e dou três estrelas porque a parte da " Cabana" mesmo não funcionou com minhas crenças, recomendo porque pode ser que funcione com a sua e se emocionar com um livro é sempre maravilhoso, pena que não me emocionei com esse.
 WILLIAM P YOUNG NA BIENAL RJ
Confirmada a vinda do autor pelos veículos de comunicação e pela própria Bienal do Livro só nos resta esperarmos até setembro para conhecer de perto o homem por trás da Cabana. Mas quem é William P Young?  Nascido no Canadá ( em Alberta) ele cresceu vendo os pais missionários de uma igreja atuarem e os acompanhou em diversos lugares inclusive em uma aldeia indígena! Foi em Papua Nova Guiné que morou boa parte de sua vida. Nunca pensou ou sonhou ser escritor mas aos 50 anos completos foi escrevendo uma história para seus filhos  a pedido de sua esposa Kim que ganhou um grande número de admiradores e seu livro se tornou um imenso sucesso de vendas mundial. Em entrevistas dadas recentemente ele afirma que a Cabana não é sua biografia mas faz parte dos monstros que também teve que enfrentar para curar as feridas que teve em sua vida, foi pensando no como queria que seus filhos amassem o mesmo Deus que ele acredita e ama que escreveu esse livro! William além de ser filho de missionários é um confesso religioso, estudou a Bíblia , chegou a fazer seminário e serviu a uma igreja durante anos. 
Mesmo sendo uma pessoa tão ligada a Deus assume que  a vergonha sempre o acompanhou em toda sua vida e era algo que ele achava que precisava enfrentar, é dele a frase " A vergonha se tornou a base da motivação para minha vida". 
Para William só existem dois caminhos quando você vive, ou você se rebela contra a vida ou você se apoia na religião, ele optou pela segunda opção.
Quer conhecê-lo de perto? Esteja na Bienal do Livro onde ele dará uma palestra no dia 09 de setembro as 19:30 h ( imperdível eu mesma gostaria de fazer várias perguntas a ele!) e uma sessão de autógrafos ainda não divulgada a data e hora. Livros Minha Terapia vai estar lá e contar tudinho para vocês!!!
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